- Miró
Claro. Claro que o medo acompanha! Ultimamente me sinto vigiada pelo medo - assim como pela Lady Murphy (maldita velha chata! Deve sentir uma paixão lésbica por mim ou sei lá). Bom dia, meus amorecos! Meu primeiro texto no Aphélio - que, como eu já disse pro Will, é absolutamente interessante, já que tem uma proposta muito mais pessoal - vai seguir a corrente e tratar de medo também. Na verdade, trata-se de um medo novo que eu senti hoje...
Nessa minha (nossa) vida de estudante, o nome ganhou características dele próprio: estudamos. E muito! Apesar de todo o estresse, dor, sono e etc e etc, somos pessoas felizes. Somos pessoas mais inteligentes e interessadas (espero eu). Assim sendo, nada poderia me fazer sentir medo de algo novo, a não ser uma aula.
O ETAPA surgiu com essa brilhante idéia (com acento e tudo) de fazer essa semana ENEM (pra quem não sabe, é uma semana qualquer escolhida ao acaso - creio eu -, onde os alunos são submetidos a (in)tensos exercícios (tipo) ENEM. Um saco, mas ainda assim, interessante). Nessa semana, além de resolver os odiosos exercícios, temos aulas voltadas ao tema que pode ser O tema do ENEM. O chute do colégio foi 'o ingresso democrático nas instituições de ensino' ou qualquer coisa semelhante - como diria a Simone, 'estamos falando de cotas (ponto). Preconceito em sua natureza'.
Na última aula de hoje - e dessa semana infernal, graças a Zeus! - Rogerio S. (professor de geografia) se propôs a discutir inclusão social e preconceito de qualquer tipo conosco. Durante essa aula, dois vídeos incríveis foram assistidos: uma entrevista com o Chico Buarque sobre preconceito e como ele vê ou sente isso na sociedade e um - o que me deu a idéia do dia - absolutamente triste e chocante: preconceito desde criança.
O vídeo em si é auto-explicativo: http://www.youtube.com/watch?v=PKqSPf-hKR4&feature=PlayList&p=597BBA81B21A833D&playnext=1&playnext_from=PL&index=11
Depois dessa aula (MA-RA-VI-LHOSA, diga-se de passagem), desse vídeo, em especial, fiquei absolutamente atordoada. Não sabia o que dizer, o que fazer, como reagir ao mundo ao meu redor.
Entendi, por fim, que para acabar com o preconceito existente na sociedade humana é preciso, antes de mais nada, de auto-valorização. Mais que isso: é preciso valorização de humano para humano, como humanos, para poder estimular a auto-valorização. Como queremos fazer com que as duas crianças no vídeo não se sintam vítimas do preconceito se elas têm preconceito contra elas mesmas? No finalzinho do vídeo, quando o cara pergunta pras crianças (depois de elas dizerem e explicarem porque a boneca negra é pior que a branca) 'com qual você se parece?' e elas apontam para a negra... Ah, foi como se alguém tivesse dado um tiro em mim. De partir o coração, mesmo. Eu achava que as crianças não 'viam' essa diferença de cor... Achava todos eram iguais para elas... Mas se elas agem dessa maneira perante as perguntas feitas, alguém as ensinou a agir assim. Não posso pensar em ninguém além dos pais. O que faz com que eles pensem que são piores que o resto do mundo?
Quero achar uma maneira de mudar isso. Se antes eu dizia já ter tido o meu choque de realidade (ou tomado a pílula vermelha, como diriam no Matrix), acho que renasci e tive uma dose muito maior. A sociedade não é a vítima dessa história e sim a culpada.
O meu medo é que a própria sociedade não se sensibilize nem assim. Já sei que há pessoas frias no mundo - aliás, sei que elas são maioria -, mas espero que os mesmos pais da elite super-protetora que se diz não ser preconceituoso quando está na mesa de jantar da festa super chique da multinacional dele, mas que não quer que os filhos tenham contato com o chamado mundo, perceba que os responsáveis pelo estado de calamidade e caos que tanto evitamos somos nós: a elite cega. Cada vez que tentamos fugir da realidade, pioramos a mesma e nos damos ao trabalho de viver no nosso mundinho colorido cheio de sifrões.
Ao meu ver, com menos preconceito, os outros problemas se minimizam sozinhos, aos poucos, até chegar no nada.
Eu tenho feito o que posso para mudar: faço trabalho voluntário sempre que consigo, escrevo para revistas engajadas em causas sociais, tento mudar coisas que vejo/ouço na rua. Mas isso é só, por enquanto... Tenho 17 anos e não muito tempo, meus sonhos azuis são só sonhos (como aquele desejo de Miss Universo: 'eu quero a paz mundial'). Ainda assim, é começando devagar que conseguimos ir longe.
Para aqueles que tiveram paciência - e compaixão - o suficiente para ler esse post enooorme inteiro:
Eu estou pronta para mudar esse quadro como eu puder. Estou pronta para fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que o preconceito comece a ser vencido não nas suas origens, mas na sua raiz. Estou pronta para evitar que mais crianças dêem respostas como essas e se sintam inferiores sempre. Estou pronta para trabalhar por um mundo mais igual.
Mas, pra isso, eu preciso de toda a ajuda que puder (e do curso de Sociologia, que agora estou muito mais tentada a fazer do que antes). Você topa?
(Perdão pelos erros ou falta de coesão entre as idéias... Escrevi tudo em uma sentada só e não tive paciência para corrigir. No fim, o texto reflete o caos que está a minha mente perdida na agonia causada pelas crianças do vídeo)
E, Will!: muitíssimo obrigada pelo convite! A idéia do blog é genial e eu espero poder me divertir muito aqui escrevendo com vocês.

Jú, eu que agradeço pelo belíssimo texto publicado. O Rogerio não passou esse vídeo na minha sala. Não tenho vergonha de falar que chorei ao ver esse vídeo. Assim como você tinha um ideia que crianças não tinham preconceito. Não sabe o quanto estou chocado.
ResponderExcluirAh, Will... Você não sabe o quão feliz eu fico por saber disso... Aliás, estou pensando em mandar o texto pro Rogerio.
ResponderExcluirMuito obrigada, mesmo...
Mande sim!!! Adorei mesmo o texto!! Até publiquei no meu twitter!!
ResponderExcluirpoxa, Will! obrigada!
ResponderExcluirestou até ficando com vergonhinha
Querida Júht... não assisti ao vídeo dos pequeninos, mas, assim como Will, também choraria; afinal todas as crianças são iguais no que têm por dentro: duendinhos que nos fazem sorrir. Tenho de confessar que estou chorando ao escrever isso, desculpe. Você me fez começar a semana muitíssimo feliz e me faz terminá-la mais feliz ainda por saber que tive a grandissíssima chance de tê-la conhecido, JÚHT... Obrigada por todos os dias e abraços carinhosos:)
ResponderExcluirLálá Cor-de-Rosa
Só estou "comentando" pq o Will e a Juh pediram.. pq depois desse nosso dia massacrante (quem dera fosse apenas um) ler um texto desses me deu dor de estômago! (não q o texto esteja ruim, Juh! Pelo contrário! Mas galera, não estou me sentindo bem, não! Ainda mais depois da inscrição da fuvest!).. Beijos a todos... ps: mais um dia! (isso parece grupo d ajuda!)rs
ResponderExcluirps.: will e júht, excluí meu blog "quemquermarshmallow.blogspot.com" e criei "quemquermarshmallowS.blogspot.com" (grande diferença!)para ficar tudo na mesma conta, assim, mais fácil, já que os senhores computadores complicam minha vida... desculpem o transtorno e a maluquice.
ResponderExcluirpps.: em breve postagens que tentarão ser bacanas nos meus dois blogs queridos, OK?
ook, Lálá! já tá anotado e já tá entre os meus favoritos (:
ResponderExcluireee Táta, obrigada, também (:
ééé...o rogerio nao apssou o texto pra gente...
ResponderExcluireu passei por esse choque pessoalmente. eu lembro da minha infancia e de alguns fatos dela...bem, as crianças já eram segregacionistas... eu brincava sozinha com a minha boneca negra, oras!
mas tenho esperança que elas tenham crescido e perdido isso, sabe?!
espero....
aliás...ótimo texto, jú!