sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Na'vi e Poti

Quinta passada (21) eu finalmente fui ver Avatar. Depois de muito ouvir falar (bem e mal), fiquei curioso pra ver a bendita película do James Cameron. Quando vi aquela cena inicial, na qual Jake desce da nave numa cadeira de rodas, pensei: "lá vem mais um filme bobo de superação de limites". Porém, assim que o mocinho "incorporou" seu avatar e iniciou sua aventura nas florestas de Pandora, um estalo tomislávico-literário me veio à cabeça. Era o começo de Iracema, o "mais doce" livro do José de Alencar, sem tirar um vírgula! Um forasteiro em apuros na selvagem natureza é salvo por uma nativa de comportamento que, ainda que arredio, pode ser considerado doce.
Durante a fita, mais fatos vão confirmando aquilo que eu havia notado no começo: ouso dizer que Avatar é uma releitura de Iracema, cheia de efeitos especiais, com uma nova e bem sucedida roupagem. Jake, o Martim de Hollywood, vai ganhando a confiança da tribo assim como na obra de Alencar. O pai de Iracema e o pai de Neytiri são a mesma pessoa: homens de grande influência entre seus povos.
No romance brasileiro, Iracema, a heroína ativa do começo da história, vai perdendo sua força e, aos poucos, vai dando lugar para a evolução de Martim. No longa, o processo se repete: Neyriti, machucada pela destruição de sua casa que a invasão humana causou, entrega as rédeas da situação ao seu amor, que corajosamente luta contra todo o arsenal tecnológico humano. Aí também há outra semelhança: Jake luta contra pessoas de sua própria raça, assim como Martim alia-se aos índios brasileiros luta com os europeus.
No fim das contas, Iracema, apesar de brilhantemente escrito, traz como fruto de sua leitura uma lenda (a "lenda do Ceará"), em meio a um mundo de metáforas e comparações excessivas. Em Avatar, vai-se além: é mostrado como a ganância humana é cega aos princípios e à coisas essenciais na vida, como essa "energia maior" que nos conduz e pode nos fazer muito felizes se encontrarmos o verdadeiro sentido da vida. Seja lá qual for a interpretação que cada um fez da história, é um filme e uma lição que levarei para sempre.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Angústia

Valinhos, 14(quase 15) de Janeiro de 2010.

Caros amigos,

Irei começar os textos novos do nosso Aphélio com essa carta, gênero o qual eu acho o mais simpático e o mais expressivo. Escrevo-lhes para finalmente começar por em prática a ideia que eu tive para esse site. Vocês se lembram que eu queria que todas nossas angústias, frustrações e medos ficassem presos aqui, e não em nossas jovens almas? Pois é, acho que chegou o momento de tentar usar esse nosso remedinho, mesmo sem nenhuma prescrição de nossos ilustríssimos médicos. Sei que pode parecer loucura se automedicar, mas não tive escolha meus amigos, e vocês verão que é verdade. Um dia, quando tudo parecer estar estranho, essa poderá ser a última e única opção.

Amigos, no final dessa tarde de férias fiquei pensando sobre o meu futuro. Sabe o que foi a coisa mais estranha que eu descobri? Foi simplesmente que nem eu, quem eu achava que era o dono do meu mísero ser, sabia o que seria de mim. Sabem o que isso significa? Simples assim: eu não sei onde eu estarei morando, o que estarei fazendo, como estarei vestido daqui dois meses, sim dois meses, 60 dias, não é assustador? Antes, 60 dias, 90 dias até mesmo um ano parecia tão previsível, parece que agora tudo mudou. Não sei o que vai acontecer comigo em 15 dias. Devido a essas circunstâncias, hoje senti algo que há muito tempo que eu não sentia.

No começo eu não sabia me expressar. Não sabia falar o que estava sentindo. Pensei ser sono, mas não poderia ser, seria sono? Minha sorte, foi que nesse exato momento estava conversando com nossa querida Victória, falei para ela, na verdade, tentei, sem sucesso, falar o que estava sentindo. Não era sono, tinha vontade de simplesmente ficar parado, deixar a roda da vida rolar. Sentia também tristeza, mas tinha algo além. Algo mais profundo. Victória que percebeu o que realmente era.

Caros leitores, eu estava sofrendo de angústia. Que sentimento mais horrível. Como poderia ter sido criado! Quem o criou deveria ser banido, morto, mutilado! É um sentimento monstruoso, o qual não consegui controlar. Escrevo a vocês, porque acho que também estão sentindo isso. Claro que eu não desejo isso a vocês, mas é inevitável. Todos um dia irão sentir-se angustiados mas espero que vocês consigam livrar-se disso logo, assim como está acontecendo comigo enquanto escrevo aqui.

É estranho não é? Cada linha que eu escrevo parece que um pouquinha da minha angustia está se desfazendo. E eu agradeço a vocês, assim como também peço perdão, por terem lido essas minhas tolas palavras. Se eu fui confuso, perdoe-me, tentei manter o fluxo de ideias o mais coeso e coerente possível. Peço perdão também, se através do meu texto vocês sentiram um pouco do que eu senti, não foi a minha intenção. Agora finalizo com uma breve despedida, vocês já devem estar cansados de ler essa carta má escrita.

Até breve meus queridos amigos.

Ass.: William Ananias Mansôr Fernandes

P.S.: Leitores, gostaria de pedir perdão novamente pelo texto. Estava notando também que nossos textos são demasiadamenste depressivos, salvos raros que aparecem aqui, isso é apenas um fruto da fase da vida que estamos enfrentando, por isso peço perdão novamente. Se sobrar um pouco de perdão, peço que me perdoe por pedir tantos perdões.